Do cinza do seu olhar, Subiu-me um arrepio, Um medo gélido e incompreendido Paralisou minha mente e retesou meu coração. Eu, que idolatrei- o como um cão E desejei-o como alimento, Absorvi a sua essência, Enquanto abria-me sem camadas, em sussurros e espasmos. Seu olhar compenetrado, que focava um quadro marcado. E de mim, só o que restava era desviar meus pensamentos do seu corpo, sua pele e seu cheiro guardados na memória. E a certeza que restava, sucumbiu em seu olhar, O gélido cinza que me fez retesar, O medo passado de uma vida qualquer, O medo sábio em me olhar como mulher. Não foi verdade, não foi quimera, Seu olhar trouxe-me sentimentos incompreendidos, incólume, jamais ferido. Da ignorância a verdade então permeia, Não foi sonho ou desejo. Meu escudo partiu quando senti seu olhar lascivo e cinzento... Gill Santos 21-11-2015