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Mostrando postagens de dezembro, 2018

Muro

Construi um muro em volta do meu coração, Confesso não me recordar em qual momento ele transformou-se em aço: Rigido, forte e impenetrável. Eu tentei me libertar, mas as amarras do tempo fizeram-me retezar E eu não mais chorei, E eu não mais me culpei E apenas senti o vazio. Quis tanto olhos nos olhos, Olhar em minha alma de mil rachaduras, E aquela cola quente e reparadora que é o amor. Mas que amor é esse que não existe, Não no mundo, não no meu mundo. Não há lágrimas, Não há amor, Só um muro negro de chumbo, de aço, de dor... Gill Santos 24/12/18. Imagem encontrada no Google

Sombria dor

Talvez eu não saiba qual é a grandeza do seu olhar. Aquelas palavras não ditas, que insiste em gritar, Talvez, eu não saiba até onde posso chegar, Mas quando o sol se põe, é meu coração que insisto em perdoar. Eu sempre disse sentimentos, Eu nunca expressei nada em vão, Apenas guiei minha mente, Tentando atingir seu coração. Minha dor é única e sombria, Mas quão igual é aquela que te aflige? Meu sentir é intenso e profundo. Porém, é sua alma que toco Num aveludado toque de emoções. Eu desejei não desejar, E você insistiu no admirar, Você com seu sorriso ingênuo, Com seu olhar pedinte E uma alma em busca do saber. Você que me diz o que não quero ouvir, E que se entrega ao meu querer. Imagem: Gill Santos Gill Santos 10/12/18.

Alienação

Hoje eu me sinto alienada. No dicionário alienado significa: "  que ou aquele que sofre de alienação mental; louco, maluco, doido", talvez eu seja louca mesmo, afinal vivi tantos anos dentro de uma bolha e somente aos 36 anos consigo enxergar isso.     As pessoas sempre falavam pra mim que ser preto e pobre no Brasil era difícil e eu pensava que a minha maior dificuldade era ser pobre, afinal eu sou uma negra de pele clara, "moreninha", quanto preconceito eu vivi? Quase nada, será?     Mas hoje, fazendo uma reflexão de toda a minha história eu acredito que vivi em uma bolha toda essa vida, afinal, eu não faço parte da estatística: mulher, pobre, mora em puxadinho da casa dos pais, na periferia de uma cidade grande (até aí, tudo bem, estou dentro das estatísticas), duas faculdades, um emprego público, nível médio, ganho dois salários mínimos, sem filhos.     Você já parou para pensar como seria se meus olhos cor de mel (quase verdes...